Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

Espera...




estou a esperar
espero um dia chegar
queria poder adiantar
cada dia demora a passar
pra rever
quem eu tenho saudade
o momento certo
precisa chegar
quem me dera
poder escolher
mas não posso
e preciso esperar
o destino
não quer me ajudar
me tortura
fazendo esperar
e a saudade
a me atormentar
quem me dera
esse dia chegar

*****************************************

Genteeeee!!!!!!!!!!
Eu ganhei um selo! fala sério! Ganhei um selo!!!!
To muito feliz!!!!!!!!
Muito mesmo!!!!
Meus Sinceros agradecimentos a Deka Silva
do blog Sem Gordura Trans


Visitem ela povo!!! é um blog que eu amo de paixão!!!!



Eu to repassando o selo pros meus favoritos também

Colibrir as Emoções

Frames Por Segundo

Diário De Uma Fada Guerreira

Regras:

1.Postar o selo em seu blog, tendo consciência do propósito de promover uma confraternização em blogueiros, homenagem à seus trabalhos.

2.Dizer de quem recebeu.

3.Repassar a "Declaração" para outros blogs (quantos quiser) que você realmente queira declarar o seu amor por belos trabalhos. Deixar link do homenageado, sem esquecer de avisá-lo!

4.Postar as regras.

Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

O que voce faz?

O que voce faz?
Quando acorda
E a primeira coisa que pença
É em uma pessoa
E quando vai dormir
Seus ultimos pençamentos são pra ela.
O que voce faz? Como vai agir
Se não quer contar
Mas o medo é maior que a vontade
Ou a vontade é maior que o medo
Não sei mais dizer o que é verdade
Me perdi em algum ponto da cidade
Só sei que não tem mais graça
Só sei que sem você
Fica tudo em preto e branco
Sem vida, sem cor
Mas não sei
Não sei ainda
Não sei mais
O que fazer...

Sábado, Dezembro 13, 2008

Código de ética dos índios norte-americanos

Levante-se com o Sol para orar.
Ore sozinho. Ore com freqüência.
O Grande Espírito o escutará, se você ao menos, falar!

Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho.
A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza, originam-se de uma alma perdida.
Ore para que eles reencontrem o caminho do Grande Espírito.

Procure conhecer-se, por si mesmo.
Não permita que outros façam seu caminho por você.
É sua estrada, e somente sua!
Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você!

Trate os convidados em seu lar com muita consideração.
Sirva-os com o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.

Não tome o que não é seu.
Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza, ou da cultura.
Se não lhe foi dado, não é seu!

Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.

Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas.
Nunca interrompa os outros nem os ridicularize, nem rudemente os imite.
Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.

Nunca fale dos outros de uma maneira má.
A energia negativa que você colocar para fora no Universo voltará multiplicada para você

Todas as pessoas cometem erros.
E todos os erros podem ser perdoados!

Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito.
Pratique o otimismo.

A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós.
Toda a natureza faz parte da nossa família terrena.

As crianças são as sementes do nosso futuro.
Plante amor nos seus corações e regue com sabedoria e lições da vida.
Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam ainda mais.

Evite machucar os corações das pessoas.
O veneno da dor causada a outros, retornará à você.
Seja sincero e verdadeiro em todas as situações.
A honestidade é o grande teste para a nossa herança do Universo.

Mantenha-se equilibrado. Seu corpo Espiritual, seu corpo Mental, seu corpo Emocional e seu corpo Físico, todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis.
Trabalhe o seu corpo Físico para fortalecer o seu corpo Mental.
Enriqueça o seu corpo Espiritual para curar o seu corpo Emocional.

Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá.
Seja responsável por suas próprias ações.

Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros.
Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas,
especialmente objetos religiosos e sagrados. Isto é proibido.

Comece sendo verdadeiro consigo mesmo.
Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.

Respeite outras crenças religiosas.
Não force as suas crenças sobre os outros.

Compartilhe sua boa fortuna com os outros.
Participe com caridade.


CONSELHO INDÍGENA INTER-TRIBAL NORTE AMERICANO
Deste conselho participam as tribos : Cherokee Blackfoot, Cherokee, Lumbee Tribe, Comanche, Mohawk, Willow Cree, Plains Cree, Tuscarora, Sicangu Lakota Sioux, Crow (Montana), Northern Cheyenne (Montana)

TRÊS DIAS PARA VER

Texto de Helen Keller



O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão?
Helen Keller (1880-1968), uma mulher extraordinária, cega, surda e muda desde bebê, nos chama a atenção para a apreciação de nossos sentidos, algo que normalmente não percebemos. Apenas de posse do sentido do tato e uma perseverança inigualável, sob a orientação de Anne Sullivan Macy, Keller pôde aprender a ler e escrever pelo método Braille, chegando mesmo a falar, por imitação das vibrações da garganta de sua preceptora, as quais captava com as pontas dos dedos. O esforço de sua mente em procurar se comunicar com o exterior teve como resultado o afloramento de uma inteligência excepcional, considerada a maior vitória individual da história da educação. Ela foi uma educadora, escritora e advogada de cegos. Tinha muita ambição e grande poder de realização. Ao lado de Sullivan, percorreu vários países do mundo promovendo campanhas para melhorar a situação dos deficientes visuais e auditivos. É considerada uma das grandes heroínas do mundo. A Srta. Helen alterou nossa percepção do deficiente.
Publicado no Reader’s Digest (Seleções) há 70 anos.
Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no principio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silencio lhe ensinaria as alegrias do som.
De vez em quando testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi à resposta.
Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tacto encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro. Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando.
Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos por apenas três dias.
Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas “janelas da alma”, os olhos. Só consigo “ver” as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos.
Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?
Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram, encabulados, que não sabiam.
Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias!
O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês.
À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.
No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.
Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos, veriam a história condensada da Terra -- os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal.
Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tacto as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira.
Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tacto. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante.
À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restricta ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso. Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.
Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino.
Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço.
Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa.
Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor.
Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas aço que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.
À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar.
Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Nas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual. Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você.
Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos. Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tacto. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contacto fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso.

Carta escrita no ano 2070

Estamos no ano 2070 e acabo de completar os 50 anos, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro por cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira. Agora devemos raspar a cabeça para mantê-la limpa sem água.
Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDE DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo.
A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas, já que não temos a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastro-intestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte.
A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de salário.
Os assaltos por um galão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequidade da pele uma jovem de 20 anos parece como se tivesse 40.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água. O oxigênio também está degradado por falta de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo já nos cobra pelo ar que respiramos: 137m3 por dia por habitante adulto. As pessoas que não pode pagar são retiradas das "zonas ventiladas", que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar, não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35 anos.
Em alguns países existem manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército. A água é agora um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui já não há árvores porque quase nunca chove, e quando chega a registrar-se uma precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas pelos testes atômicos e da industria contaminante do século XX. Advertiam-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, a chuva, as flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o quão saudável que as pessoas eram.
Ela pergunta-me: "Papai, porque acabou a água?" Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado, porque pertenço à geração que destruiu o meio ambiente ou simplesmente não tomamos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na Terra já não será possível dentro de muito pouco tempo, porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer alguma coisa para salvar o nosso Planeta Terra!


Extraído da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos"

N.E.O.Q.E.A.V.

Meus avós já estavam casados há
mais de cinquenta anos, e continuavam
jogando um jogo que haviam iniciado
quando começaram a namorar.

A regra do jogo era que, um tinha
que escrever a palavra "Neoqeav"
em um lugar inesperado, para o outro
encontrar, e assim que a encontrasse, deveria escrevê-la em outro lugar,
e assim sucessivamente.

Eles se revezavam deixando "Neoqeav" escrita por toda a casa, e assim que um
a encontrava, era sua vez de escondê-la
em outro local, para o outro achar.

Eles escreviam "Neoqeav" com os
dedos no açúcar, dentro do açucareiro,
ou no pote de farinha, para que o
próximo que fosse cozinhar achasse.

Escreviam na janela embaçada pelo
sereno, que dava para o pátio onde
minha avó nos dava pudim, que ela
fazia com tanto carinho.

"Neoqeav" era escrita no vapor
deixado no espelho, depois de um
banho quente, onde a palavra iria
reaparecer depois do
próximo banho.

Uma vez, minha avó até desenrolou
um rolo inteiro de papel higiênico
para deixar "Neoqeav" na última
folha, e enrolou tudo de novo.

Não havia limites para onde
"Neoqeav" pudesse surgir.

Pedacinhos de papel com "Neoqeav" rabiscado apareciam grudados no
volante do carro que eles dividiam.

Os bilhetes eram enfiados dentro
dos sapatos e deixados debaixo
dos travesseiros.

"Neoqeav" era escrita com os dedos
na poeira sobre as prateleiras,
e nas cinzas da lareira.

Esta misteriosa palavra tanto fazia
parte da casa de meus avós,
quanto da mobília.

Levou bastante tempo para eu passar
a entender completamente e gostar
deste jogo que eles jogavam.

Meu ceticismo nunca me deixou
acreditar em um único e verdadeiro
amor, que possa ser realmente
puro e duradouro.

Porém, eu nunca duvidei do amor
entre meus avós.

Este amor era profundo!

Era mais do que um jogo de diversão,
era um modo de vida!

Seu relacionamento era baseado em devoção e uma afeição apaixonada,
igual as quais nem todo mundo
tem a sorte de experimentar.

O vovô e a vovó ficavam de mãos
dadas sempre que podiam.

Roubavam beijos um do outro, sempre
que se batiam um contra outro,
naquela cozinha tão pequena.

Eles conseguiam terminar a frase
incompleta do outro, e todo dia
resolviam juntos, as palavras
cruzadas do jornal.

Minha avó cochichava para mim,
dizendo o quanto meu avô era bonito,
como ele havia se tornado um velho
bonito e charmoso, e ela se gabava
de dizer que sabia como pegar os
namorados mais bonitos.

Antes de cada refeição eles se
reverenciavam, e davam graças a
Deus, e bençãos aos presentes por
sermos uma família maravilhosa,
para continuarmos sempre
unidos e com boa sorte.

Mas uma nuvem escura surgiu na
vida de meus avós: minha avó
tinha câncer de mama.

A doença tinha primeiro aparecido
dez anos antes.

Como sempre, vovô estava com
ela a cada momento.

Ele a confortava no quarto amarelo
deles, que ele havia pintado dessa
cor para que ela ficasse sempre
rodeada da luz do sol, mesmo
quando ela não tivesse
forças para sair.

O câncer agora estava, de novo,
atacando seu corpo.

Com a ajuda de uma bengala e a
mão firme do meu avô, eles iam
à igreja toda manhã.

E minha avó foi ficando cada vez
mais fraca, até que, finalmente, ela
não mais podia sair de casa.

Por algum tempo, meu avô resolveu
ir à igreja sozinho, rezando a Deus
para zelar por sua esposa.

E então, o que todos nós temíamos aconteceu:vovó partiu...

"Neoqeav" foi gravada em amarelo,
nas fitas cor-de-rosa dos buquês
de flores, do funeral da vovó.

Quando os amigos começaram a ir
embora, minhas tias, tios, primos
e outras pessoas da família se
juntaram e ficaram ao redor
da vovó pela última vez.

Vovô ficou bem junto do caixão da
vovó e, num suspiro bem profundo,
começou a cantar para ela.

Através de suas lágrimas e pesar,
a música surgiu como uma canção
de ninar que vinha bem de
dentro de seu ser.

Sentindo-me muito triste, nunca vou
me esquecer daquele momento.

Porque eu sabia que mesmo sem
ainda poder entender completamente
a profundeza daquele amor, eu tinha
tido o privilégio de testemunhar
a beleza sem igual que aquilo
representava...

Aposto que a esta altura você deve
estar se perguntando:

"Mas o que Neoqeav significa?"

Essa linda palavra quer dizer:

"NEOQEAV" = NUNCA ESQUEÇA
O QUANTO EU AMO VOCÊ!!!

Autor Desconhecido

Desejo a Você

Desejo primeiro que você ame,

E que amando, também seja amado.

E que se não for, seja breve em esquecer.

E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,

Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,

Que mesmo maus e inconseqüentes,

Sejam corajosos e fiéis,

E que pelo menos num deles

Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.

Nem muitos, nem poucos,

Mas na medida exata para que, algumas vezes,

Você se interpele a respeito

De suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,

Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,

Mas não insubstituível.

E que nos maus momentos,

Quando não restar mais nada,

Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,

Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,

Mas com os que erram muito e irremediavelmente,

E que fazendo bom uso dessa tolerância,

Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,

Não amadureça depressa demais,

E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer

E que sendo velho, não se dedique ao desespero.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e

É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,

Não o ano todo, mas apenas um dia.

Mas que nesse dia descubra

Que o riso diário é bom,

O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,

Com o máximo de urgência,

Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,

Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,

Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro

Erguer triunfante o seu canto matinal

Porque, assim, você sesentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,

Por mais minúscula que seja,

E acompanhe o seu crescimento,

Para que você saiba de quantas

Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,

Porque é preciso ser prático.

Eque pelo menos uma vez por ano

Coloque um pouco dele

Na sua frente e diga `Isso é meu`,

Só para que fique bem claro quem é o dono dequem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,

Por ele e por você,

Mas que se morrer, você possa chorar

Sem se lamentar esofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,

Tenha uma boa mulher,

E que sendo mulher,

Tenha um bom homem

Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,

E quando estiverem exaustos e sorridentes,

Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,

Não tenho mais nada a te desejar.


Original de Victor Hugo adaptado por Vinícius de Morais.

Malditas Memórias

As luzes da cidade passam rápido pela janela do ónibus, ela na verdade nem nota, com os olhos marejados ela olha para fora da janela. O rosto abatido quase desaparece debaixo dos cabelos negros soltos, o ar condicionado esta ligado, faz tanto frio, e ela nem lembrou de pegar um casaco, se encolhe no banco em sua calça Jean favorita, gostava tanto daquela calça surrada; do lado de fora as luzes parecem borrões diante de seus olhos, a lua brilha lá no alto, minguante. Sente o coração apertado, um no na garganta e as lágrimas escorrem silenciosas pelo seu rosto, ninguém liga, ninguém nota, porque notariam, cada um se preocupando com suas próprias vidas, é assim que deve ser.

O ónibus parou, é o seu destino, ela desse daquela geladeira, o ar lá fora esta mais quente, dentro do ónibus pareciam querer congela-la. A praça mal iluminada, já tinha estado ali, mas boas lembranças não carregava. Ela jogou a mochila nas costas, estava pesada, tinha pego tudo que imaginou que fosse precisar, engraçado, não lembrou do casaco; estava frio lá fora também.

Começa a descer a rua de asfalto velho mal feito e esburacado, calçadas irregulares a fazem andar pela beira da rua, casas bonitas e casas feias e as luzes dos postes não iluminam o suficiente, alguns estão sem luz. E ela anda olhando para a lua.

Foi a lua que começou a faze-la lembrar, lembrou de uma noite, parecia que tinha sido há muito tempo, já era tarde e ele não chegava, não ligava, não dava noticias, quantas vezes faria aquilo? Ele chegou na casa dela na hora de ir embora e brigaram feio, gritos e lágrimas, era o que marcava aquele namoro, nunca estavam bem. Tinha sido seu primeiro e único namorado, por que estava com ele? Não lembrava, claro que era por amor, ou seria obsessão. Mas agora não importa mais, ele é passado, assim como todo o resto.

Então lembrou dos pais, eles nem tentavam ser legais, e ela fazia de tudo para agrada-los! A ultima briga ela lembrava bem, as outras estavam meio confusas, imagens aleatórias das brigas com os pais passam diante de seus olhos. Eram as notas baixas no tempo do colégio, eram os amigos, mesmo que chegasse cedo ainda era tarde, onde estava, não comia mais direito, e se não tinha nada para acusa-la brigavam por causa da hora de dormir ou se ela não tinha jantado. E brigavam o tempo todo, e a envolviam nas suas discussões mesquinhas. E tinha a chantagem emocional também. Diziam que era ela que não os amava! Como poderiam dizer algo assim? E tudo que ela tinha deixado por eles, será que eles achavam mesmo que eram os únicos a fazerem sacrifícios, ela os amava, mas tinha certeza, jamais os entenderia. Verdade mesmo é que acreditava que eles só seriam felizes quando ela não estivesse mais ali.

E os sonhos, deixaria todos para traz? Seria capaz de esquece-los? Ela não sabia, nem tinha certeza do que estava fazendo, era contra tudo que julgava certo. Mas com o que sonhava mesmo, eram sonhos impossíveis, ela nunca os alcançaria, não tinha capacidade, era só uma garota meio sem graça e com problemas. Seus problemas estavam só em sua própria cabeça, disso ela tinha certeza, por isso não contava pra ninguém. Nesse momento ela lembrou de si mesma, sozinha no banheiro do colégio, ela chorava, e dizia para si mesma que tinha que se acalmar, precisava voltar para a aula e depois para casa, não podia voltar para a aula com aquela cara de choro. Porque chorava mesmo? Ela lembrou do motivo, estava escrevendo no intervalo de aulas, alguém pegou o texto e leu, acharam engraçado, mas era para ser triste, riram tanto dela naquele dia, aspirações de escritora, diziam que escrevia mal, que desenhava mal, que não fazia nada direito; e ela saiu da sala em meio a gargalhadas do colegas.

Sem amigos, sem passado que lembrasse com saudade. Nunca teve amigos, sempre foi sozinha. Eles não sentiam falta dela mesmo.

Ela ainda chora, a mochila pesa nas costas, os pés doem muito, devia ter pego outro ténis. Sente fome, já é madrugada, em poucas horas será dia de novo, as pessoas dormem preocupadas com suas vidas, e ela tenta entender como chegou ali. Deu tudo errado, não há mais planos, nem ações por instinto, e ela sente como se não fosse viver mais, tudo que conhecia como vida já tinha sido destruído há muito tempo, pelo menos parece muito tempo para ela, mas pouco importa, sempre tinha odiado aquela vida mesmo, desde criança.

Lembrava como com cinco ou seis anos detestava os amiguinhos e a forma como eles a humilhavam, ela era diferente, sempre foi diferente, encontrou alguns adultos que viam isso naquela época, mas os pais, bom, eles achavam que tinham a filha perfeita, porque tentariam mudar alguma coisa?

As lembranças doíam e ela não consegue lembrar de nada agradável. Sabe que há, tenta se concentrar, em algum lugar existem lembranças boas, mas ela simplesmente não consegue lembrar, e a dor só aumenta, arrancaria o próprio coração se pudesse.

Os pensamentos a estão deixando tonta, rodando como um redemoinho na sua cabeça, o corpo não obedece mais, foi nessa hora que teve vontade de correr, morrer sozinha era melhor do que aquilo, humilhação, essa era a palavra, mas as pernas não obedeceram.

A essa altura já estava na porta da frente. Ainda tinha a chave, aquela maldita chave, devia ter jogado fora quando teve oportunidade, mas não jogou. Abril a porta, os pais dormiam, ela os olhou da entrada do quanto, não pareciam felizes, mas deviam estar, afinal, ela os tinha deixado em paz por algum tempo. Quanto tempo fazia? Não lembrava, algumas semanas talvez.

A coisa ficou difícil mesmo quando o dinheiro acabou, ela ainda tentou pedir, mas ninguém a ajudou, não tinha arrumado emprego e estava dormindo na rua, em uma cidade pequena distante dali; não gostavam dela, simplesmente porque sabiam, ela era uma fugitiva, teria feito algo errado e por isso estava fugindo, não era confiável.

Mudou de cidade, mas então tinha fome, pedia comida, mas não gostava de dar, lembrou de casa, odiava aquele lugar, mas teria comida lá. Isso não a convenceu, uma noite, porem, ela estava na estrada, devia ter parado em uma rodoviária ou coisa assim, mas nem pensou; um homem a atacou, tentou estupra-la, ela conseguiu fugir, correu por horas, nem viu o rosto do homem. Na manhã seguinte encontrou uma delegacia, contou a história e porque estava ali, abatida e faminta ela pediu ajuda para voltar pra casa, os policiais a ajudaram.

Não havia mais lugar para ela. Não havia lugar seguro, a casa era seu inferno psicológico, e o mundo significava fome. A dor aumentava, não queria sua velha vida de volta, também tinha medo da rua agora, ela sabia que não era sempre assim, tinha dado azar, tudo deu errado.

Entrou no seu velho quarto, meio empoeirado, mas tudo estava no mesmo lugar, estranho, ela achava que o teriam transformado em um deposito, mas estava tudo ali, no mesmo lugar.

Foi ate a cozinha e pegou uma panela, colocou no chão, no meio do quarto. Acendeu o fogo dentro dela e jogou lá tudo que tinha sido valioso para ela quando esteve ali; cartas, fotos, bilhetes, entradas de cinema, tudo que ela amava estava queimando agora e seu coração queimava junto, no silencio da madrugada. Agora não importava mais, seria exatamente o que a mandassem ser, sua vida já havia acabado, não havia mais pelo que lutar. Dormiu no chão frio do quarto que tinha abandonado, na manhã seguinte os pais a encontraram morta, simplesmente não acordou, seu coração de tanta vergonha decidiu parar.

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Escrevi essa cronica como trabalho de um curso de férias.

Filha da Lua

Esta é uma noite sombria para mim, não tenho mais lar, quando o sol surgir no horizonte terei de deixa tudo para traz, esquecer quem eu fui um dia, esquecer todos que eu amei, todos aqueles a quem eu ingenuamente dediquei meu coração. A dor e o ódio consomem minha alma nessa noite solitária, as pessoas que acreditava que me amassem hoje me odeiam e me temem, não há mais lugar para mim em seus corações, me odeiam simplesmente por eu ser eu mesma. Tolos!

Pela manhã eu era uma filha adorada de uma família perfeita, agora sou maldita, indesejada, proscrita. Em quanto eu fui a filha perfeita eles me amaram, eu era exatamente o que eles queriam que eu fosse, mas eu tinha meus próprios desejos, coisas que eu amava e eles não aprovariam, então escondi em um recanto escuro do meu coração para não decepciona-los. Porem eu sabia, um dia viria a tona, um dia todos saberiam quem eu sou. Eu tinha esperança, uma vã esperança de que se um dia descobrissem o amor que sentiam por mim seria maior do que a desaprovação, infelizmente eu estava enganada.

Fui expulsa de casa por meu próprio pai, ele disse que não tem mais filha, não o reconheço mais, minha mãe ficou calada, chocada demais para dizer qualquer palavra fosse de acusação fosse de defesa, me deram uma noite, ao menos não me jogaram na estrada nesse escuro e no frio.

Quem eu sou agora não sei mais, amanhã será um novo dia, uma nova oportunidade de ser feliz, um dia para enfrentar meus medos, um dia para me aventurar em um mundo desconhecido e talvez perigoso, mas incrivelmente não tenho medo, amanha também serra para mim o dia em que finalmente abrirei minhas asas e voarei livre sendo quem eu sou de verdade, sem mascaras, fazendo o que meu coração manda. Sendo o que fez meus pais me odiarem. Sendo quem eu sou. Sendo uma feiticeira.

O dia amanheceu triste e enevoado, não dormi, quando o sol nos saudou com o seu brilho e calor eu já estava distante, não me despedi, não havia de quem se despedir, agora o passado não importa mais, ainda dói muito, a saudade aperta, tudo que eu queria era um abraço da minha mãe.

Caminho sem rumo agora, ainda não sei para onde ir, preciso comer, mas a tristeza me impede de sentir fome. Caminho por uma estrada que não sei para onde leva, de um lado vejo um pasto verdejante, bem distante alguns cavalos correm, do meu outro lado um bosque meio mágico, a estrada se afasta um pouco dele como se o temesse, lá dentro os animais correm livres protegidos pelos espíritos da natureza, por vezes posso ouvir o sussurrar das arvores como se me chamassem. Vou sair da estrada e caminhar pela borda do bosque, quero me afastar dos homens agora, eles são cruéis e sem paixão, melhor me aproximar do bosque e conversar com as arvores, elas me entenderam melhor.

Quando a tarde começo a se tornar noite eu sai da estrada na direção do bosque, caminhei ainda um pouco para dentro do território das arvores ate encontrar um lugar para passar a noite. Dormi entre as raízes de uma arvore enorme e muito antiga, foi como passar a noite nos braços de uma avó que me ama muito, ela me deu muito carinho. Despertei um pouco dolorida, não estou acostumada ao abraço das raízes, porem muito mais tranqüila e com a certeza de que esse bosque me acolherá enquanto eu não souber para onde ir. Sinto-me livre e ate um pouco selvagem, posso ouvir cada vez mais nitidamente o sussurrar das arvores, tenho certeza que querem me dizer algo, mas ainda não consigo compreender. Continuo a caminhar sem rumo, mas agora cada vez mais para dentro do bosque, eu sinto que aqui existem muito mais coisas vivas alem dos animais que eu posso ver ou ouvir, esse lugar é mágico, mas não o compreendo bem, quero aprender a ouvi-lo, sei que ele tem muito a me ensinar.

Mais uma noite se passou e o bosque me ensinou que para quem não sabe aonde esta indo eu estou com muita pressa. Devo acalmar meus pés apressados e parar para ouvir, dedicar-me mais aos meus sentidos, todos eles. As arvores me darão o necessário para que eu sobreviva, não é necessário correr ou se preocupar. Sentei-me em um galho alto para observar o bosque, essa tarde eu vi o mais maravilhoso dos espetáculos, o balançar das arvores, o sussurrar do vento, o canto dos pássaros, o som dos animais lá em baixo, o sol que entra por entre as copas das arvores, tudo no bosque esta vivo, ate mesmo as pedras.

Ao entardecer a dor voltou a me torturar, lembro-me dos meus pais, de como eles diziam que me amavam e de como me abandonaram tão friamente.

Nasci feiticeira, desde pequenina eu sempre fui diferente, entendia o que os animais sentiam, eu sentia a dor das pessoas como se fossem as minhas próprias, podia ouvir seus corações gemendo mesmo que em seus rostos houvesse um sorriso. Eu sabia quando uma pessoa tinha más intenções, passava horas entre arvores ou observando a Lua. Tudo isso era estranho para as outras crianças, algumas não gostavam de mim. Eu fui crescendo e procurando entender porque era tão diferente, conversava com meu próprio coração, lhe pedia conselhos. Procurava em livros antigos, pessoas que se sentissem estranhos em suas próprias casas como eu, então aos poucos comecei a achar explicações, juntar peças dessa complicada charada. Descobri minha ligação com a natureza, com o Sol e com a Lua, descobri que havia magia em tudo na vida, e usava o pouco que sabia para abençoar nossa comida e nosso trabalho, sempre quis o melhor para minha família e fazia tudo para que tivéssemos isso. Irônico é que eu não sabia nada a respeito de magia se comparada aos outros sobre os quais eu li nos livros antigo, mas mesmo sabendo tão pouco ainda assim fui rejeitada.

Odeio tanto a minha vida, como puderam me fazer isso, eu sempre fui tão prestativa, quantas vezes abri mão de fazer algo que eu gostava pra ajudar minha mãe. Quantas vezes eu escondi o que eu amava pra não magoa-los. Dias inteiros jogados fora, na verdade joguei fora minha vida inteira ate aqui, nunca fiz nada que eu gostasse se eles não aprovasses, nenhum amigo, nenhum pensamento que eles não aprovassem. Então, depois de uma vida infeliz como prisioneira de mim mesma, eu finalmente encontrei algo que eu amava, e amava tanto que era mais forte do que eu, mais forte do quem minha vontade de agrada-los, mas eles não aprovariam, tive o bom censo de não contar, guardei dentro de mim, escondi com todo o cuidado, mas não era suficiente, eu deveria abandonar meu destino e abraçar o destino que eles escolheram para mim, isso eu não podia mais fazer! Eu já fiz isso a vida inteira! Agora não posso mais, a ignorância não é mais uma benção, eu nunca me perdoaria era eu ou eles.

A floresta esta estranha. Começou a ventar muito, eu nem havia notado tão perdida que estava em meus pensamentos. O ódio transbordava em meu coração, o vento forte não para, vem trazendo nuvens escuras e faz muito frio, essa será uma noite muito fria, preciso de um lugar para me abrigar.

O vento esta mais violento do que eu estava acostumada na vila, ele sopra gelado como se perfurasse minha pele com pequenas agulhas. Todos os animais desapareceram assustados com o frio e a violência do vento. Os galhos das arvores que balançam violentamente batem nos meus braços e no meu rosto ferindo minha pele e rasgando minhas roupas. O cinzento ameaçador do céu parece querer me esmagar contra a terra, e os trovões tornam mais forte a sensação de que o céu ira desabar, é assustador e fascinante toda essa fúria da natureza. Mas sinto uma dor terrível, e não vem dos ferimentos, vem do meu peito. Isso tudo começou quando eu pensava no meu passado

O dia amanheceu chuvoso eu senti muito frio essa noite, a tempestade que eu causei foi muito forte, choveu durante toda a noite e todo o dia, agora já é noite novamente e já se pode ver as estrelas no céu negro; demorei muito para encontrar um abrigo, apenas após o meio do dia encontrei abrigo dentro de uma arvore, ela é tão grande que esse reentrância nas raízes mais parece uma caverna. Passei toda à tarde aqui, ela me protegeu da chuva e do frio, sinto-me tão segura.

Adormeci entre as raízes quentes dessa arvore, agora já é madrugada, as estrelas parecem mais brilhantes, a noite esta mais viva e cheia de cores do que jamais vi. Minha visão esta alterada, as cores, o céu, as arvores, tudo esta diferente; vejo vultos coloridos e brilhantes correndo pelo bosque, mas não consigo identificar o que são.

São muitos, eles correm como a brisa do mar que beija nosso rosto à noite. Eles cantam, falam e riem mas não posso vê-los. Sei que estão por toda parte e às vezes vejo seus vultos passando atrás de mim, ao lado, onde eu não estava olhando, mas quando me viro não há nada lá. Eles brincam a noite sob o manto das estrelas nas brumas que sobem do rio, na chuva que banha a terra, no vento que beija meu rosto, nos lugares onde os homens não podem mais chegar, nos lugares nos quais só acreditamos quando somos crianças.

A noite passou, o dia avançava iluminado, ainda cheio da magia da noite, o vento soprava fraco balançando a folhas das arvores que pareciam dançar de felicidade. Sob o céu azul da tarde úmida e abafada, entre o sonho e a realidade, deitada entre as raízes daquela mesma arvore eu pude ver o ser mais incrível que eu jamais poderia imaginar mesmo em meus sonhos.

Leve como o vento, iluminada como a lua, ela se movia como as águas de um riacho ou as copas das arvores ao vento; vestida de um tecido tão leve como se feito de teia, semelhante as folhas das arvores; sua voz era como um sussurrar suave, doce como um sino dos ventos.

Ela falava da noite e do dia, do passado e do futuro, da luz e da escuridão. Ao mesmo tempo ela falava de tudo, ela contava sua historia, era muito velha e muito nova, ela não tinha idéia de tempo, para ela o tempo não existe, apenas o oscilar suave das vidas humanas, tão curtas e tão longas.

Ela me contou sobre o que eu estava aprendendo, o que eu deveria aprender aonde, e onde procurar. Ela era uma dríade, o espírito daquela arvore onde eu estava. Ele me contou sobre os outros que eu vira na noite anterior o quem eram, o que faziam. Ela me mostrou a floresta, e para onde eu deveria ir antes de ir embora.

Então ela desapareceu sem dizer seu nome, eu adormeci completamente, acordei ao entardecer sem saber dizer ao certo o que fora sonho e o que fora realidade.

A noite foi fria, depois de um dia quente. As estrelas brilhantes no céu são como um mapa agora para mim, minha visão do mundo esta mudando muito rápido, estas experiências inexplicáveis estão me fazendo crescer. Sou como a flor do campo que não se preocupa com o futuro, sinto-me tão velha quanto as arvores e tão jovem como um broto.

Sigo agora na direção de um largo rio que eu vi quando a dríade me falava; lá encontrarei mais respostas às perguntas que jamais ousei fazer. Enquanto caminho sob a luz da lua, ainda vendo o mundo como na noite de ontem, sinto que seres como aquele que me falou me acompanham; eu sigo as estrelas, não sei ao certo para onde estou indo, mas tento seguir minha intuição.

É tudo tão incrível que beira o inacreditável, será que estou sonhando, ou delirando. Não. Não creio que sejam sonhos, os delírios devem ser diferentes, talvez. É possível que aja algo de delírio nisso tudo, mas talvez, apensas talvez tenhamos que beirar a loucura para encontrarmos a nos mesmos. E tudo que eu quero em meio a todas essas descobertas, é saber quem eu sou.

A minha frente vejo uma forte correnteza, um rio impetuoso, cheio de vida. Venta muito a margem do rio e sol brilha forte. As arvores parecem se inclinar para beijar a margem. Já é dia alto, o pássaros cantam mas os sons da floresta são abafados pelo murmurar da correnteza.

Eu imaginava que aquelas visões que eu tive a noite eram restritas a momentos mais mágicos como a luz das estrelas. Engano meu, ainda vejo os vultos e luzes, tudo fica cada vez mais claro, não sou apenas eu que quero vê-los, eles também querem ser vistos.

Não entendo ainda qual o propósito disso mas percebo que sou uma peça de um quebra-cabeça bem maior, o que quer que queiram me mostrar não mostrariam a qualquer outra pessoa. Mas não entendo, de tão envolvida em meus sentimentos não posso ver. Sou uma proscrita perdida em uma floresta encantada, porque tudo isso apareceria para mim?

A noite chegou e se foi novamente a beira do rio ouvindo o murmurar das águas. Ao amanhecer eu estava desperta, vi o Sol se levantar majestoso sobre a copa das arvores. A floresta inteira cantava saldando o astro rei, e os seres brilhantes que eu via dançavam e cantavam canções ininteligíveis.

A beira do rio lindas donzelas, como se pareciam, dançavam em ciranda sob as pedras da margem. Eram tão belas e incríveis, com seus vestidos esvoaçantes, brilhantes com as cores do arco-íris; cabelos longos, corpo esguio e movimentos leves; por vezes elas pareciam voar pois seus pés mau tocavam o chão. O que eram eu não sei ao certo, mas não só me deixaram vê-las como também se aproximaram de mim. Não falaram uma palavra se quer mas o sentimento que me transmitiram foi indescritível. Desapareceram ao meio dia deixando antes de partir uma guirlanda de flores aos meus pés.

Quando as meninas de vento se foram passei a usar a guirlanda o tempo todo, creio que foi um presente, algo para mostrar aos outros seres da floresta que elas permitiram que eu as visse.

Uma noite se passou e mais um dia, sem que nada mudasse, na verdade ainda os vejo, mas só os vultos, nenhum apareceu para mim novamente já a alguns dias, não sei exatamente quanto pois perdi parte da minha noção de passado e futuro com o convívio com as arvores.

A floresta fala comigo, ela me mostra onde encontrar comida, abrigo para o frio e ate me protege de animais mais agressivos. Logo, creio eu, nem será necessária proteção, com o tempo minha interação com a floresta será tão grande que farei parte dela.

As flores da minha guirlanda não murcharam como que vindas de um reino encantado.

As noites se transformam em dias, os dias se juntam em semanas e estas em meses. Já não sei quanto tempo estou aqui. As arvores me acolheram, os animais me amaram. Mas essa noite foi diferente, novamente a beira do rio eu olhava a Lua em suas águas, em um trecho mais largo e mais calmo. Via as pedras no meio do rio brilhando sob o manto estrelado. Já a Lua estava alta, e a noite já era silencio e solidão, sem vultos ou luzes, quando uma doce melodia começou a ressoar nas margens do rio, uma figura sentada nas pedras do rio cantava com uma voz doce como o murmurar das águas. Era um jovem de cabelos longos e negros, brilhantes olhos e beleza incomparável. Ele se veio em minha direção como a andar sobre a água, sua voz era suave e hipnótica, e ele me disse que meu lugar não era a floresta, que eu seria sempre bem-vinda entre o povo dele pois eu os entendia e acreditava neles, mas sou humana e deveria viver entre humanos. Disse-me também que sempre que eu precisasse de ajuda eu deveria encontrar uma arvore antiga, um rio ou uma montanha alta onde ventasse muito e eu seria ajudada pelos povos que eu conheci ali na floresta. Mas que era imperativo que eu saísse dali o mais rápido possível. Antes de desaparecer ele ainda me disse que ainda havia um dos povos da natureza que eu ainda não conhecia e que ele preferia que eu o conhecesse na segurança do mundo humano, pois ali ele ainda era muito selvagem naquele lugar. E desapareceu entre as águas.

Tomei o caminho para fora da floresta na manha de hoje, não sei porque mas confio muito Neles para não ouvir o que um Deles me fala.

Já conheço tudo o que há para saber sobre viver em uma floresta, conheço plantas que curam doenças humanas, frutas que podem ser comidas e outras que não podem. Mas não sei viver entre homens, o que farei a partir de agora? Como viverei entre aqueles que tanto me odeiam? Fui rejeitada, expulsa de casa, não me querem lá. Agora tenho que sair daqui. Mas não sei para onde irei. Tomarei outro caminho que não o que eu vim, seguirei olhando para frente e nunca para traz, mas sem jamais esquecer o que aprendi aqui e os amigos que fiz. Estou marcada, se qualquer um Deles me ver, mesmo os que não são dessa floresta, saberão que eu sou sua amiga e não tenho o que temer. Apenas os homens.

Depois de uma longa caminhada dentro da floresta eu encontrei a estrada novamente, não a que eu seguia quando entrei aqui, mas outra que não sei onde me levará. A noite aqui é triste, já sai da floresta e me sinto distante de mim mesma nesse mundo dos homens. Sinto que Eles me acompanham, mas não os vejo agora.

O chão de terra batida, a marca das rodas das carruagens e cascos dos cavalos, tudo isso parece uma lembrança distante que vem a tona, parece que muitos anos já se passaram e nada mudou, a noite ainda é triste.
Porem minha dor não é tanta, a saudade é uma dor doce. A aurora é um reconforto, um momento mágico em meio a tanta loucura e descrença. Tenho sorte de tê-lo conhecido, muitos nem sabem de Sua existência. E eu vivi entre Eles por um tempo incontável.


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Continua...

Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Sem título ...

A proximidade do natal e do fim do ano ta afetando minha pobre cabecinha...
Estou tentando ser mais criativa, mais isso ta ficando cada vez mais dificio...
Meu coraçãozinho quase não aguenta as ultimas emoções...
Sim sim ... muita coisa vai mudar!
Mas não sei ainda
Por onde começar
Felicidade Tristeza Amor e Odio convivem bem no mesmo coração
Ou quase
Mas uma nova etapa se encerra
E é preciso repençar
Pra não repedir os erros
Pra saber o que precisa mudar...



Segunda-feira, Dezembro 08, 2008

Distraída

Naquela tarde
Quando te vi ao longe
Nem imaginava
Quem você seria
Tenho te procurado
Minha vida inteira
E quando te encontro
Nem noto quem és
Mas um novo encontro
Uma nova chance
Me aconteceu
E eu notei
Minha distração
Mas você
Não, você ainda não